quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Supervalorização ou reconhecimento, quem dá mais?


Casas com pé direito alto, paredes de pedra, gradil centenário, portas de quase 3 metros de altura, piso hidráulico ornando amplas salas, corredores que fazem eco, fachadas enfeitadas de rococós e platibandas, qual seria a cifra ideal para o valor arquitetônico destas casas? E se forem localizadas em uma área tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, de grande apelo turístico, com vista do mar e ar de cidade do interior?



 Há uma década era possível encontrar casas no Santo Antônio Além do Carmo e no Carmo na média de R$ 50 mil e com sorte valores inferiores a esse. Mas as coisas não tardaram a mudar, no transcorrer desses anos a procura por imóveis na região aqueceu o mercado que em alta temporada exibe uma galeria de placas escritas "for sale" (vendo em inglês), isso já define quem é o público alvo para a venda destes imóveis. Concomitantemente ocorreu o aumento dos valores, mas se observamos uma regra básica de comércio sobre oferta e demanda, quanto menos se tem de um produto que muitos queiram, maior o preço, é possível identificar que essas casas históricas têm um valor particular que não pode ser igualado à outra casa em outro bairro.



Mas podemos comparar o m² de bairros de apelo turístico em Salvador, cada imóvel tem características particulares que determinaram qual o preço adequado para a sua comercialização; o Santo Antônio Além do Carmo e a Barra são pontos turísticos com vista para o mar, um tem a vantagem de ficar próximo ao Pelourinho e o outro de ficar próximo à praia, a média do m² de um apartamento com vista do mar na Barra é de R$ 3 mil, enquanto no Santo Antônio Além do Carmo este valor é cobrado pelo m² de pousadas e o de residências fica entorno de R$ 2 mil. Será mesmo supervalorização?

2 comentários:

  1. Creio que até pouco antes da implantação do hotel Pestana no local, os preços eram realistas. Mas logo após aquele empreendimento, veio a temporada de caça da LGR que inflacionou de vez o local.
    Se não aparecer nenhum outro grande investidor para alimentar as esperanças dos proprietários que ainda não venderam seus imóveis, acredito que a escalada de preços estacione (e eventualmente, diminua).
    Vi 4 casas na Rua Direita esse mês. Todas elas com valor maior do que 500.000 reais; quase todas elas oferecidas e rejeitadas pela LGR; todas elas à venda por mais de 6 meses; todas elas com m2 mais caro do que Barra e Pituda, todas precisando (muita) reforma... NEM TODAS elas com fachada "histórica.
    Acho que quando os imóveis super-valorizados comecarem a encalhar (acho q isso já está acontecendo), os preços vão baixar, ou então os imóveis estarão disponíveis para aluguel, trazendo para a rua um novo tipo de "habitante": < Os Iwannabe's > - aqueles que não tem grana pra comprar um sobrado, mas querem estar no bairro da moda, ainda que vivendo de aluguel. Lembram da Graça dos anos 90?

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  2. Agradeço o comentário!

    Discordo sobre a observação que após o início da "temporada de caça da LGR Empreendimentos" tenha ocorrido tal inflação. Acompanho as transformações do mercado e esta valorização está sendo gradativa muito antes de qualquer especulação do atual grupo investidor.
    O que me parece é que está sendo feito uma campanha contrária à valorização para facilitar a aquisição de imóveis. Os valores de referência foram consultados com corretores de imóveis e confirmados no site de uma imobiliária especializada,inclusive é possível confirmar tais valores no link adicionado ao nome do bairro.

    Att,
    Ariadne Ferraz
    editora

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