domingo, 24 de outubro de 2010

Um olhar sobre o Santo Antônio Além do Carmo

O Santo Antônio Além do Carmo é um bairro que encanta, seja com o ar bucólico de cidade do interior (que já virou clichê) ou com a espontaneidade e emoção que flui em todas as vielas e rostos de moradores e frequentadores.
Essa aura é fruto de todos nós que vamos a padaria no fim da tarde, sentamos ao redor do coreto, sorrimos ao ver as crianças do bairro brincando na praça, nos preocupamos ao saber que algum vizinho está doente;  somos parte da identidade deste lugar.
Para mostrar um pouco deste Santo Antônio Além do Carmo, trouxemos uma poesia de Francisco Alberto Servin de Alba, escritor mexicano que escolheu o bairro como inspiração e também como o novo lar.


Ventanas

Bahía, tiene su Salvador, en Santo Antonio.
Un lugar en donde las ventanas abren paso
a las notas del albo acordeón de las sonrisas.
Un barrio en el cual muchos de sus moradores
visten la digna piel de sus antepasados y
las mujeres son hamacas tejidas de frutas tropicales.
Un espacio en que la historia talló con sueños
las fachadas y arruinó las calles para que no
se olvidara el peso de la esclavitud.
Un ambiente donde se mezclan los pesares
con el olor del acarajé y se riegan
las ilusiones con agua de coco.
Un territorio sin mal de ojo,
ni conjuros extraños.
Un sitio para besar el atardecer
y sentir la brisa divina del perdón.

Estamos de volta!

É com grande satisfação que retornamos com as atividades no Além dos Portões. Esperamos poder contribuir com a demanda de informações sobre o bairro Santo Antõnio Além do Carmo, assim como questões sobre preservação do patrimônio histórico e cultural.
Agradecemos e contamos com a colaboração de todos para a manutenção deste blog!
Sejam bem vindos, mais uma vez!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Pão do Santo Antônio

A comunidade do Santo Antônio Além do Carmo é sinônimo de união e ajuda ao próximo. Por tradição as igrejas que tem como patrono Santo Antônio realizam a distribuição de pães, como Santo Antônio fazia em suas peregrinações. A distribuição dos Pães dos Pobres, é coordenada por uma das moradoras do bairro, D. Dinorá, que conta com o auxílio de pessoas da comunidade e do entorno. Caridade e tradição são traços que se mantêm desde a fundação da Igreja de Santo Antônio Além do Carmo e marcam a história do bairro. Para saber mais sobre esta ação social confira abaixo a entrevista com D.Dinorá:



Além dos Portões (AP): Como funciona a tradicional distribuição dos pães do Santo Antônio?





AP: Quantas pessoas são beneficiadas com a distribuição dos pães?





AP: Com que frequencia é realizado este trabalho e qual a média de pães doados?



AP: Esta doação é para pessoas da comunidade?




AP: Quem te auxilia neste trabalho?

Amarelou...

As casas da LGR Empreendimentos, na Rua Direita de Santo Antônio, estão ficando multicolor, a primeira a passar pela mudança foi justamente a que comentamos em nosso blog, sinal que estão atentos à insatisfação dos moradores. A casa que desde a aquisição está em ruínas ganhou um remendo de reboco e algumas mãos de tinta na fachada, alternadas em amarelo e branco, deve ser para cobrir as irregulariedades do reboco mal remendado.



Esta foto foi tirada no dia 6 de novembro de 2009, duas semanas após a nossa postagem O outro lado do mega investimento da LGR Emprendimentos, em que publicamos uma fotografia deste mesmo imóvel amarelo, que até o momento da postagem continuava em ruínas como a fotografia respectiva, na semana seguinte começou a "maquiagem", que podemos conferir na fotografia acima ainda com andaimes. 
Depois desta fotografia esta fachada passou por mais camadas de tinta e para tirar a imagem negativa dos portões cinzas que convivemos há anos, este deixou a mácula fria e hoje é amarelo palha. Dos muitos imóveis fechados, além deste, um outro teve o remendo de reboco em sua fachada e passou pelo mesmo processo de sobreposição de camadas de tinta para disfarçar as irregulariedades, neste a cor elegida foi verde. E paramos por aqui, a cartela de cores se reduz a essas duas, com tantas de mão a tinta deve ter acabado e nenhum outro imóvel dos 35 ganhou a "maquiagem". Será este o tipo de restauro pretendido para o projeto comercial da empresária Luciana Rique?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Na terra dos três macacos


Por Dimitri Ganzelevitch
À sombra da elegante, mas abandonada Cruz do Pascoal, antiga coluna votiva revestida de azulejos, moram poetas, jornalistas, professores universitários, fotógrafos, músicos, figurinistas, artistas visuais, arquitetos, advogados e cineastas, todos formadores de opinião. Deve ser a maior densidade cultural por metro quadrado da capital. Gilberto Gil aqui se criou, Dorival Caymmi morou por estas bandas. O número de pousadas de bom nível, desde o Convento do Carmo até a Pousada do Baluarte, também é, sem dúvida possível, a maior concentração de Salvador. Hospedam a nata do turismo, aqueles viajantes, curiosos e discretos, que vêm mergulhar fundo na verdadeira Bahia, pisando em ovos, longe de qualquer atitude predadora. Levarão para bem longe as impressões da descoberta de nossa gente e de seus costumes.  Nem por isso as autoridades se preocupam com o bairro. Parecem nem saber que o bairro existe.
Por que tanto desleixo com esta parte do centro histórico da capital baiana, também tombada pela Unesco? Afinal, é patrimônio por osmose, por condescendente favor ou por méritos próprios? Existe uma evidente má vontade em se resolver os problemas deste bairro, tanto a nível municipal como a nível estadual, já que o Ipac nem se digna em responder aos abaixo-assinados ou concretizar a promessa de restaurar a dita Cruz do Pascoal e, lá encima, a nível federal, o Iphan, repetidamente solicitado, nunca manda fiscalização alguma quando irregularidades são denunciadas. Todos surdos, cegos e mudos, mas sem a graça dos paradigmáticos símios.
A prefeitura mantém um permanente estado de sujeira que passou a ser marca registrada da tal baianidade – escandaloso, o contrato de vinte anos com a Vega! - só se lembrando do bairro em hora de cobrar impostos e se fazendo de distraída com os pedidos de recuperação da ladeira do Pilar que une a cidade alta ao Comércio. Nenhum carro pode se aventurar na buraqueira e assim vai tocando a festa permanente da marginalidade. A omissão deliberada dos poderes públicos favorece o aumento do narcotráfico na invasão vizinha à Igreja de Santa Luzia.
O policiamento é tão irregular quanto as pedras da rua. O plano inclinado que leva ao Comércio pára "por motivo de manutenção" por semanas seguidas "porque as peças são importadas". Falta infra-estrutura básica obrigatória em qualquer bairro. Farmácia, padaria, mini-mercados, dentista, clinica geral, creches, papelaria, foto-copiadora, loja de material fotográfico, livraria. Os transportes públicos são precários, param onde e quando lhes dá a telha e usam rotas que não correspondem às necessidades dos moradores.
Agora acabou de cair das nuvens uma menina mimada que bate o pé para transformar a rua direita num Daslú de província. Quando passar a onda, vai ser uma falência só, tipo Aeroclube ou, como aconteceu com o Pelourinho, que nunca mais se recuperou da leviandade política e da falta de conceito. E ainda tem desmiolado por aí que bate palma e quer mais!
Depois do fracasso do Pelourinho, aguardamos, resignados, a desertificação do bairro do Santo Antônio. Era só o que faltava!...

Salvador, 30 de novembro de 2009